"A noite lá fora, esta casa, o meu coração, tudo está mergulhado numa escuridão. Não preciso de luz para saber que tu não estás aqui. O teu lugar está vazio e frio. Por isso, prefiro estar assim no escuro do que olhar para um lugar onde devias estar e não estás. Dizem que quando não se pode usar um sentido se apura os restantes. E deve ser verdade, porque fecho os olhos e sinto o teu cheiro. Não te vejo mas ainda ouço o teu riso. Se continuar nesta dormência, entre lágrimas e recordações, quase consigo sentir o teu toque na minha pele e os teus lábios a roçarem os meus.
Mas não posso render-me, preciso de sair deste negrume. As recordações não passam disso mesmo, e por mais que me doa viver sem ti, dói muito mais viver presa à tua memória. Porque eu estou viva e não posso estar assim entregue ao destino sem nada fazer. Preciso de sentir que a minha vida depende um pouco de mim, preciso de sentir que para além de ti existia um mundo para mim. Sei que não irias querer ver-me assim, presa à solidão e à saudade, sem nada conseguir fazer. Por isso prometo-te que vou lutar e acordar com a vontade de tornar o meu dia em algo mais luminoso do que isto aqui.
Mas hoje deixa-me chorar e afogar nas minhas lágrimas, deixa-me adormecer e sonhar contigo, deixa-me abraçar-te mais uma vez. Talvez amanhã eu possa renascer, mas hoje ainda não. Hoje ainda estou morta, tão morta como tu, numa escuridão sem fim..."
15-10-2013 01:19
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